27 de julho de 2012

» por em Destaque, História do Tie-Dye

Batik Africano e a descoberta do tingimento (História do Tie-Dye #1)


O Tie-Dye que conhecemos hoje é uma herança direta do movimento hippie, nascido nos Estados Unidos na década de 60 e que carregava em sua ideologia a paz, o amor e a liberdade. Eles eram contra o consumismo e por isso usavam roupas velhas, naturalmente rasgadas, além das peças em tie-dye, que eram feitas de forma livre, geralmente com formas e cores muito vibrantes e psicodélicas. E foi a partir dos hippies, de Janis Joplin, de Woodstock e dos ideais de “Peace and Love”, que a arte que conhecemos hoje se configurou.

Janis Joplin é considerada uma das precursoras do movimento Tie-Dye

O tie-dye carrega em suas formas, amarrações e cores, um valor histórico muito maior do que se pode imaginar: traz no conhecimento adquirido, durante eras, uma rica e interessante história, que acompanha desenvolvimento cultural do próprio ser humano em diversas sociedades ao longo dos anos. Por conta disso, começamos hoje uma seção especial em nosso Blog que tem como objetivo resgatar a memória da arte, as suas origens, influências e peculiaridades em cada sociedade. A verdade é que a origem da arte é tão incerta quanto a origem do mundo, mas a teoria mais aceita é que ela, assim como a humanidade, nasceu na África.

Batik Africano e a descoberta do tingimento

Acredita-se que o Batik Africano tenha sido o pilar, o primórdio, o antecessor das diferentes técnicas surgidas ao redor do mundo, que são baseadas em  amarrações, nós e linhas para vedar parte do tecido e assim ter controle sobre o tingimento. Os africanos do Egito Antigo e da Mesopotâmia descobriram como extrair corantes naturais de uma série de plantas e assim realizar o tingimento em tecidos. As primeiras peças eram muito simples simples, com formas pouco complexas e uma gama de cores ainda limitada.

 

Batik Africano Tradicional, de Marondera. por Ethic Trends Africa Trading Enterprises

Com o passar do tempo, o Batik tornou-se um verdadeiro instrumento cultural, que servia para refletir a cultura exuberante da África, com suas estampas grandes, cores fortes e contrastantes, que lembram terra, rituais, florestas, símbolos tribais.

Batik no Kente - A beleza e o colorido das estamparias africanas nos tecidos e textuas

O batik Africano recorre a amarrações do tecido envolvendo pedras, grãos, sementes e pequenos objetos – bolas de gude, botões, pérolas, contas, tampas plásticas , rolhas e até restos de fios e linhas – para deixar marcas com diferentes formatos após os banhos de cor em grandes caldeirões de tingimento.

Como grande instrumento de manifestação artistica, é possível encontrar uma série de temas retratados através do Batik, motivos esses que espelhavam o cotidiano daquele povo, como cenas de caça e de guerra. Eram produzidos também adornos corporais, principalmente para religiosos e “políticos” da época.

A partir do período das grandes navegações e intensos intercâmbios culturais, mais paises conheceriam a arte do tingimento de tecidos, desenvolveriam suas próprias técnicas e métodos, sendo adaptada aos padrões culturais e artísticas dos diferentes povos. O tie-dye que conhecemos hoje é, principalmente, fruto da interação entre os diferentes movimentos e técnicas que existem ao redor do planeta.

Vejam algumas fotos de obras de artes criadas através da técnica africana de Batik:

Artesã de Gana vendendo seus tecidos

Batik moderno de Uganda, baseado na arte tradicional

No próximo post, abordaremos o Batik chinês e o desenvolvimento da arte da tapeçaria.

Paz e positividade!

  1. Bacana!!

  2. sou profissional na área e estou procurando empresas que trabalha no ramo de tingimento e artesanatos tipo bordados !! reginaldaartesanatos@hotmail.com

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